quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Dying young.


A noite ia virando dia mas ela não chegava.

Não havia  razão nas palavras, quando havia, era só mentira. Era verão mas não fazia calor, até o sol já havia se acostumado com a solidão, ele escurecia e eu sumia.

O sorriso ia apagando mas ela não chegava.

Me trouxe a doçura mas levou a decência. Ela se enfeitava com malvadeza, depois vestia a ternura. Os lábios não pintava, só havia veneno, mas nos olhos, só havia eu, eu sei! O cabelo escuro era só disfarce.

Me mate! Não grita.

Eu fumava e chorava, e ela não chegava.

Eu me perdi na rua, no caminho pra casa, pois não há mais lugar nesse mundo pra alguém sonhar, não há mais romance, só existe música. Não existe mais solidão sem dor, é apenas solidão. Sem saudade ou vontade, é só a minha solidão.

Eu entrava em casa, e ela não chegava.

Vou escrever pra que eu possa transformar a dor apenas em palavras. Que não significam nada, não pra ela. Não adianta tentar quando apenas eu vou enxergar - a cor dos olhos dela são tão diferentes. E ela gosta de dançar, sozinha! Eu também gosto de dançar, sem música, sem ritmo.


E hoje eu vou embora e ela não vai chegar.


quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Carregue seus medos ou durma com eles

Tudo que pode ser intenso pode ser doloroso. E tudo que dói muito vem numa dose de vazio e de loucura.

Hoje eu acordei fraca de mais pra encarar o dia. Iludida de mais pra acompanhar as horas. Feia de mais pra levantar da cama - aquela feiura amarga da vida. Quando tu sonha tu sabes que existe um pouco de desejo em ti, mas quando o sonho é na verdade um pesadelo, você se conecta com a realidade. A realidade da fragilidade, sim, porque nós somos frágeis de mais para compor os dias.

Tudo que nos comporta também nos destrói, e tudo que nos ama, um dia pode nos deixar. 

Aí você sussurra um até logo, mas a tua consciência sabe que é um adeus.
Aquele pesadelo que você nunca quer ter, aquele abismo triste de solidão. A roupa vai perdendo o cheiro bom de você, o teu abraço já não aperta mais, e a tua voz, tão distante que já desistiu de atravessa o mar.

As manhãs são cruéis. Eu só queria dormir até você chegar.

As coisas são só coisas, não tem formas nem diversão. O pôr do sol é só mais um affair triste. Tua falta não é só falta, é barulho, universo, tormento, perseguição. Não existe um dia sequer sem a lamúria, alguém que não sabe viver sem teus passos. 

Eu a amo como nunca amei a vida.  Eu a deixo. 

Vai me despir de saudades ou me afogar. Vai me matar de abraços ou de despedidas. Vai me dizer boa noite ao telefone ou vai dormir com a mentira. Vai fotografar a paisagem nova mas vai pirar no tempo.

Vai dizer amor, mas não vai dizer nada.




quinta-feira, 20 de junho de 2013

1,2,3 testando


Deu ''meia noite da tarde'' agora, e uma vontade de mergulhar os dedos em uma máquina de escrever empoeirada, daquelas enferrujadas, meio sem tinta, com as folhas úmidas. A que chuva boa, que tempo bom para voltar diferente, com uma pancada a mais na cabeça, com aquela, aquela, sabe... discrepância de ver e relatar as coisas de outro modo, com outro olhar. Não sei se estou velha pra me importar com isso, ou se estou nova demais pra deixar os relatos dessa vida fria e doce de lado. É tão particular o gosto, esse gosto de terra nova, de ares diferentes, de futuro a vista, de amor eterno. Agora no céu, Órion já teria ido embora e escorpião estaria avista, com aquele veneno charmoso que não se toca. Você entende o que eu quero dizer né? Uma reviravolta, uma balançada ajustada dos anos, aquela voz mais calma de vida amarga, aqueles relatos de aconchego nas noites de inverno. Bem, eu estou querendo ouvir os sonhos, quem sabe eu consiga comprar uma máquina de escrever, ou então, comprar um livro. Mas, de qualquer forma, as linhas serão ocupadas, sim, quero escrever como minha amada é linda, como ela toma seu chá pela manhã - de forma apressada - derrama um pouco na toalha, se esquece de recolher a xícara, e o pote de açúcar quase sempre fica aberto, mesmo assim, ela entra no quarto sem fazer barulho e me aconchega em seus braços, me dá um beijo e diz até logo. Não há tardes ou meia noites que eu não tenha me dedicado a uma história, e não há pressa ou reviravoltas que não tenham me lembrado de como valeu a pena, avistar (o amor) - esquecer (a dor) - abraçar (a vida) - morrer (na cama).