quinta-feira, 20 de junho de 2013

1,2,3 testando


Deu ''meia noite da tarde'' agora, e uma vontade de mergulhar os dedos em uma máquina de escrever empoeirada, daquelas enferrujadas, meio sem tinta, com as folhas úmidas. A que chuva boa, que tempo bom para voltar diferente, com uma pancada a mais na cabeça, com aquela, aquela, sabe... discrepância de ver e relatar as coisas de outro modo, com outro olhar. Não sei se estou velha pra me importar com isso, ou se estou nova demais pra deixar os relatos dessa vida fria e doce de lado. É tão particular o gosto, esse gosto de terra nova, de ares diferentes, de futuro a vista, de amor eterno. Agora no céu, Órion já teria ido embora e escorpião estaria avista, com aquele veneno charmoso que não se toca. Você entende o que eu quero dizer né? Uma reviravolta, uma balançada ajustada dos anos, aquela voz mais calma de vida amarga, aqueles relatos de aconchego nas noites de inverno. Bem, eu estou querendo ouvir os sonhos, quem sabe eu consiga comprar uma máquina de escrever, ou então, comprar um livro. Mas, de qualquer forma, as linhas serão ocupadas, sim, quero escrever como minha amada é linda, como ela toma seu chá pela manhã - de forma apressada - derrama um pouco na toalha, se esquece de recolher a xícara, e o pote de açúcar quase sempre fica aberto, mesmo assim, ela entra no quarto sem fazer barulho e me aconchega em seus braços, me dá um beijo e diz até logo. Não há tardes ou meia noites que eu não tenha me dedicado a uma história, e não há pressa ou reviravoltas que não tenham me lembrado de como valeu a pena, avistar (o amor) - esquecer (a dor) - abraçar (a vida) - morrer (na cama).