quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Carregue seus medos ou durma com eles

Tudo que pode ser intenso pode ser doloroso. E tudo que dói muito vem numa dose de vazio e de loucura.

Hoje eu acordei fraca de mais pra encarar o dia. Iludida de mais pra acompanhar as horas. Feia de mais pra levantar da cama - aquela feiura amarga da vida. Quando tu sonha tu sabes que existe um pouco de desejo em ti, mas quando o sonho é na verdade um pesadelo, você se conecta com a realidade. A realidade da fragilidade, sim, porque nós somos frágeis de mais para compor os dias.

Tudo que nos comporta também nos destrói, e tudo que nos ama, um dia pode nos deixar. 

Aí você sussurra um até logo, mas a tua consciência sabe que é um adeus.
Aquele pesadelo que você nunca quer ter, aquele abismo triste de solidão. A roupa vai perdendo o cheiro bom de você, o teu abraço já não aperta mais, e a tua voz, tão distante que já desistiu de atravessa o mar.

As manhãs são cruéis. Eu só queria dormir até você chegar.

As coisas são só coisas, não tem formas nem diversão. O pôr do sol é só mais um affair triste. Tua falta não é só falta, é barulho, universo, tormento, perseguição. Não existe um dia sequer sem a lamúria, alguém que não sabe viver sem teus passos. 

Eu a amo como nunca amei a vida.  Eu a deixo. 

Vai me despir de saudades ou me afogar. Vai me matar de abraços ou de despedidas. Vai me dizer boa noite ao telefone ou vai dormir com a mentira. Vai fotografar a paisagem nova mas vai pirar no tempo.

Vai dizer amor, mas não vai dizer nada.




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