sábado, 28 de junho de 2014

A passagem.

Amor você queima
derrete
o mármore
a carne
os ossos;
Amor você  encanta
como uma dança
de solidão;
Amor você odeia
o tempo
a sina
o escuro;
Amor você mente
sempre;
Amor você não chora
você transborda
insegurança
bonita
numa  manhã
desconhecida;
Amor você se despede
em mim
permanece
quase intacta;
Amor você não ama
você insiste
você mata
você injúria;
Amor você olha
sem dizer nada
nunca sabe
do nada
do imenso 
aqui dentro;
Amor você me perde
no fim
se afoga em mim

nos males
dos mares
nas entranhas
da sua cama.

(porto de julho)

terça-feira, 3 de junho de 2014

Depois de tanto silêncio, você volta.
Manipulando cada sentimento.
Cada mentira que você conta;
sai rasgando toda tripa dentro de mim.
O que você quer?

Toda sua boca, metida.
Teus pensamentos, segredos;
imundos, jogados por aí, nem tão particular assim.
Se dando pra qualquer conversa.

Me tira o sossego menina.
Me cobre das tuas idas e vindas;
me sangra inteira.
Egoísta.

Não lia nenhuma linha do que era culpa tua;
a culpa era só minha.
Não vê que ultrapassou o limite? 

Engole essas vontades de saber como estou;
se eu morrer ficará sabendo.
Morrer por morrer;
já morri, obrigada.
Você que matou.

Quando fala, só saem palavras tortas;
que verbo é esse? 
enganar.
Menina, para de iludir.

Por que me incomoda tanto? 
O que você está fazendo?
Vem até meus sonhos;
me persegue menina.
Tu que já foi a mais doce dentre as outras; 
apodreceu. 

Quem é você? 



sexta-feira, 23 de maio de 2014

amor de nuncas.

amor que se despede;
dentro de você
amor que te destrói
usando só uma
palavra.

amor que te guarda;
numa gaveta
amor que te deixa
no quarto
vazio.

amor que esquece;
ser de carne e osso
amor que te perde
nas viagens
nos novos assuntos
dos amigos
falsos
sem sentido
sem vestígio
que nunca mais
que pra sempre
te perdeu
num esconderijo.

amor que falou de amor;
sem nunca
ter sentido
em ti
abrigo.

amor sem fronteiras;
amor de placebos;
amor de bares;
cheios e
de almas
vazias.

amor de feridas;
na subida
das festas
na descida
dos sorrisos.

amor de dependes;
amor de nuncas;
amor de despedidas;
despidas de amor
vestidas
de dor.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Deserto.

Hoje eu precisava te escrever. Não é como uma mentira a mais ou com palavras enfeitadas, é com um nó na garganta que deságua nos dedos, da imaginação ao sofrimento, da espera ao final da noite.  Hoje eu não tive razão, e nem ontem, e nem semana passada e eu não sei quando tive. Sonhei de novo com você, eu sonhei mais uma vez com o deserto, do frio ao quente, nos extremos, sem direção, a paisagem morta, o desespero de não mais te encontrar, sem água e sem ajuda – solidão - não há cor nesse dia, não há manhãs ou noite, é tudo igual é tudo distante.  Sem ligações, sem o teu chá matinal, sem o seu beijo do meio dia, sem teu abraço de boa noite, sem respostas, sem chamadas, sem você! 


Não sei quanto tempo isso vai levar, já foram semanas, e o vazio continua o mesmo, a mente permanece ausente, sozinha na varanda, esperando o céu mudar de cor - paciente/doente - da saudade a tempestade, da dor ao amor, do teu descanso ao meu pesadelo, da tua única palavra no dia ao meu contentamento. Os dias vão continuar a passar, e vou estar te esperando na varanda, com a mente vazia dos ''ontens'', esperando você preenche-la de novo, esperando por nós, desejando que esse amor nunca vá parar em um texto qualquer, com um ponto final e com um adeus na ponta da caneta.  

quinta-feira, 20 de março de 2014

A dor/cor do verão.



Como o fim do verão, ela se foi. Largou a minha mão pra nunca mais voltar. Disse que não podia mais acreditar em alguém que nunca pode amar leve. E como a mudança da estação eu pode entender que aquele beijo era só mais uma despedida - sem olhares. Dizia que seria triste mas que não podia mudar. Descrevia o infinito mas não fazia calor no verão, só fazia frio – dentro de mim.

Parou de chover, o sol quis viver pra ela ver o mar, esse mar que já não dá pra atravessar. Disse que não tinha mais saudades, que só queria ficar lá, onde essa saudade não entrava, onde a tristeza tinha ido embora. Como eu fui. 

Ela dançava sozinha na sala, sem música alguma, e eu olhava através dos olhos dela, tão verdes que transpareciam a alma. Ela não sorria, mas continuava dançando, me beijava tão doce,  nós duas com o volume do rádio, adormecíamos no sofá, sonhando na mesma intensidade, vivendo o mesmo ritmo. Nós duas, na varanda, ela no meu colo e eu no colo dela - eu me entregava quando estava em silêncio, pra poder ouvir seu coração enquanto observava a fumaça do cigarro que dançava como ela e sumia com delicadeza, entrava nos pulmões e não mais saia.

Disse adeus, sem muita intensidade, já não via felicidade do lado de cá, eu podia sentir o que queria, podia saber o que iria acontecer, e é por isso que morri dentro de mim.

E hoje eu escrevi a minha tristeza pra ela.


‘’Eu prometo ao amor que eu deixei ir, o amor que eu perdi na mudança da estação, que assim como o outono eu posso fazer calor no frio, mas, se já não estiver aqui e encontrar outra estação que prefira ficar, eu só posso dizer: Adeus amor, que seja leve, que seja inesquecível’’. 

segunda-feira, 17 de março de 2014

Não mais.


''Querida dor, eu prometo ser a última vez que te escrevo. Prometo ter sido a última vez que tento concertar o que não dá mais. Prometo nunca mais precisar sentir teu cheiro e ouvir teus discos. Eu prometo que depois dessa linha nunca mais prometer nada a você''.

Fez de mim a vida inteira, fez de mim o futuro mas esqueceu o presente - morreu no passado. Me trouxe o que eu não queria mais e jogou por cima da cama, apenas jogou. E não há mais sorrisos que não sejam ironias, não há mais pena que não seja apenas castigo, não há mais memória do que já foi amor um dia. Viva pra ti a melhor vida possível, que eu já seja um fardo,  que tu possas dizer EU, e não NÓS.

Durmo esperando estar mais viva amanhã, será que posso deixar tuas roupas no guarda roupas sem fuçar nelas, sem toca-las, sem querer sentir teu cheiro ali, como se tivesse alguma lembrança sua que eu quisesse de volta. Deitava no meu peito e só queria estar. Não ia embora nunca, nem da mente, nem de mim, permanecia comigo como se me entendesse, mas mentia. Cantava, fumava, amava, tirava o vestido, se entregava, sorria, beijava, dormia. Você que já foi tudo, que antes era meu vício, minha salvação, meu sono, minha amiga, minha saudade, meu adeus. 

Mas meu amor, vou te transformar nas linhas, te deixar aqui, lendo a dor e sentindo a letra. Te amo com todos os riscos e rabiscos. Como a morte ou a vida. Como o escuro ou o dia. Como você e eu. Amando, morrendo. Sem você. Daqui pra frente, tudo, nada, sem você. 


domingo, 16 de março de 2014

Mar de quimera.



Um dia e tudo muda, um dia e tudo se perde como um pôr do sol banhado por mentira. E não precisa muito para perder tudo, é de pouco em pouco que se perde tudo.


Ela correu de mim como a felicidade e depois me abraçou como a dor. Pensei em não perguntar, mas acabei perguntando, sobre ela, sobre a noite passada, dos sonhos e dos pensamentos. Nunca pensei que pudesse explicar como é alguém que precisa esquecer outro alguém, mas eu posso explicar, é uma pessoa que sabia o que era esperança e agora não sabe mais, não sente, é como quebrar um braço e colocar o gesso pra concertar, mas nesse caso o braço quebrou e o gesso não conserta mais. Eu pedia durante a noite que viesse me acalmar, que estivesse leve, mas não esteve. Vou sufocando o que resta de mim, sem machucar muito, porque já dói o suficiente saber que eu sou a única que não me possui, porque você me tem inteira. 


Ela sentava no barco esperando que a mare a levasse, olhando o céu e esperando que ele mentisse por ela ou que ele percebesse que ela era triste. Podia ver o sol brilhando no horizonte depois de uma noite fracassada, uma noite que viveu e sentiu a solidão na mais intensa companhia.

Eu a dedico o meu mais puro medo, como o medo do mar, da imensidão que não posso tocar, do que meus olhos não podem enxergar além, através do azul. Eu a amo como um pôr do sol do início de julho. Eu a espero como se fosse a chegada no inverno, e eu te quero como liberdade e não mais posse. Eu te quero leve e te quero pra sempre. 

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Sem surpresas.




É tão simples olhar triste e se fazer entender sorrindo. Tão fácil se enganar e se entender amando. Quando tudo só parece sangue, só tem um cheiro, uma cor e uma textura. Quando o amargo vem disfarçado de doce e você prova. Quando tudo é disfarce e a vida é real.

E eu temo tanto a dor de viver, a dor de virar a esquina e estar vazia, de não te encontrar, de saber que esse você já foi embora e eu nem sabia, que eu fingia esquecer. Eu vou comprar minha dor, vou encontrar os pedaços de qualquer coisa e colar -como se eu pudesse ver o invisível - como se eu pudesse concertar o que nunca saiu da estante. 

- Será que eu já fui sua?

Fico tonta imaginando a razão de estar aqui, o porquê disso. Eu não sou simples, eu não consigo carregar meus defeitos todos os dias sem sentir cansaço, carregar as loucuras, as dores de estômago quando penso que já fui outra, quando eu sei que o que me tornou outra foi as dores no estômago, foi a saliva que engoli sem querer e da dor que senti quando ela desceu para a garganta e de lá nunca saiu. 

Eu sei arriscar o carma, sei dizer que não existe nada além do céu, que não existe cura pra minha doença, que não existe carma, que o nada existe bem melhor em mim. 

E quando eu mergulho de olhos fechados eu posso imaginar (...) Imagino chegar bem ao fundo, viver em um outro mundo, onde eu possa existir sozinha, sem dor, onde eu possa amar o meu rosto e fazer amor com meu corpo, onde eu possa me permitir ser feliz e respeitar os meus erros. Onde eu possa existir sem ocupar o lugar de alguém melhor. Onde eu apenas possa existir.


Sou feita de falhas, de vazio, de universo, de destroços e de enganos. Sou feita de carne e de erros humanos. Não queria ser assim, é fácil ser feliz. Queria escolher viver como um pássaro em seu silêncio, apenas cantar para o dia, o céu noturno, as cores, o vento, a liberdade. Queria poder voar estando acordada.

Mas eu nunca poderei ser um pássaro, por tanto, nunca poderei ser feliz. 

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Sintaxe.


Chegou em mim como um vento no meio do verão, trouxe luz no escuro, veio como poeira em estrada de chão, disse que diria sim mas a boca só repete ''não''. 

Minha criatura dos olhos d'água, não sabes mais me dizer a verdade - será que esqueceu o caminho? 

Não vive sem meus lençóis, planta girassóis no escuro, colhe sossego/planta maldade, é cereja nascendo em árvore de limão. Vigia da lua - que não era crua - era mordida de saudades por uma miragem que só fazia doer um coração. Hemisfério Norte não traz sorte - nada trás. 

Capitão, me leve ao mar que tenhas mais correnteza, quero ser levada de volta pra terra, quero sentir uma meia noite sem ser Cinderela. Quero me afogar nas histórias, quero deixar que me contem memórias. 

Coordenadas invalidas.

Carrego uma bússola pra me dar direção, carrego o tormento, viajo sem tempo. como o dia (engulo). Se for lembrar de mim, me leve mas seja leve.

E hoje nem nosso céu é o mesmo, nem nossas estrelas. Nem meu sopro em ti vai chegar, nem uma palavra, nem uma cruzada de guerra, nada, só nada. Porque nada mais faz sentido/castigo.

Não pire.

Quero mergulhar e não acordar. Quero uma viagem de caravelas sem velas. Quero parar de rimar.

Espalhei os sapatos, arrumei a cama, dobrei os panos de pratos - está tudo como antes. Mas está tudo sem você. Tudo sem graça, e de graça só teu beijo, que agora custa caro.

E quando lembrar de escrever que sentiu saudades, talvez já não tenhas mais tinta.