quinta-feira, 20 de março de 2014

A dor/cor do verão.



Como o fim do verão, ela se foi. Largou a minha mão pra nunca mais voltar. Disse que não podia mais acreditar em alguém que nunca pode amar leve. E como a mudança da estação eu pode entender que aquele beijo era só mais uma despedida - sem olhares. Dizia que seria triste mas que não podia mudar. Descrevia o infinito mas não fazia calor no verão, só fazia frio – dentro de mim.

Parou de chover, o sol quis viver pra ela ver o mar, esse mar que já não dá pra atravessar. Disse que não tinha mais saudades, que só queria ficar lá, onde essa saudade não entrava, onde a tristeza tinha ido embora. Como eu fui. 

Ela dançava sozinha na sala, sem música alguma, e eu olhava através dos olhos dela, tão verdes que transpareciam a alma. Ela não sorria, mas continuava dançando, me beijava tão doce,  nós duas com o volume do rádio, adormecíamos no sofá, sonhando na mesma intensidade, vivendo o mesmo ritmo. Nós duas, na varanda, ela no meu colo e eu no colo dela - eu me entregava quando estava em silêncio, pra poder ouvir seu coração enquanto observava a fumaça do cigarro que dançava como ela e sumia com delicadeza, entrava nos pulmões e não mais saia.

Disse adeus, sem muita intensidade, já não via felicidade do lado de cá, eu podia sentir o que queria, podia saber o que iria acontecer, e é por isso que morri dentro de mim.

E hoje eu escrevi a minha tristeza pra ela.


‘’Eu prometo ao amor que eu deixei ir, o amor que eu perdi na mudança da estação, que assim como o outono eu posso fazer calor no frio, mas, se já não estiver aqui e encontrar outra estação que prefira ficar, eu só posso dizer: Adeus amor, que seja leve, que seja inesquecível’’. 

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