domingo, 16 de março de 2014

Mar de quimera.



Um dia e tudo muda, um dia e tudo se perde como um pôr do sol banhado por mentira. E não precisa muito para perder tudo, é de pouco em pouco que se perde tudo.


Ela correu de mim como a felicidade e depois me abraçou como a dor. Pensei em não perguntar, mas acabei perguntando, sobre ela, sobre a noite passada, dos sonhos e dos pensamentos. Nunca pensei que pudesse explicar como é alguém que precisa esquecer outro alguém, mas eu posso explicar, é uma pessoa que sabia o que era esperança e agora não sabe mais, não sente, é como quebrar um braço e colocar o gesso pra concertar, mas nesse caso o braço quebrou e o gesso não conserta mais. Eu pedia durante a noite que viesse me acalmar, que estivesse leve, mas não esteve. Vou sufocando o que resta de mim, sem machucar muito, porque já dói o suficiente saber que eu sou a única que não me possui, porque você me tem inteira. 


Ela sentava no barco esperando que a mare a levasse, olhando o céu e esperando que ele mentisse por ela ou que ele percebesse que ela era triste. Podia ver o sol brilhando no horizonte depois de uma noite fracassada, uma noite que viveu e sentiu a solidão na mais intensa companhia.

Eu a dedico o meu mais puro medo, como o medo do mar, da imensidão que não posso tocar, do que meus olhos não podem enxergar além, através do azul. Eu a amo como um pôr do sol do início de julho. Eu a espero como se fosse a chegada no inverno, e eu te quero como liberdade e não mais posse. Eu te quero leve e te quero pra sempre. 

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